quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sobre flores e abraços


No meio do caminho de pedras, eis que surge uma flor.
Flores:
Girassóis, jasmins, Janaínas.
Genuínas
Gerúndio
Amando, compondo, tecendo, deslizando


No meio do percurso, um encontro de corpos.
Abraços:
Bravuras, bondades, Bettinas
Beatitudes
Particípio
Acreditado, confiado, sentido, acalmado
  

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Constante

"Nem sequer está ao alcance deles criar um público para um narrador envelhecido, num mundo que não quer mais ouvir suas histórias, pois prefere perder a memória".

Pelbart, in A Nau do Tempo Rei, sobre os anjos de Wim Wenders em Asas do Desejo


  Tenho paixão pelo que é triste.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ate lá

Algumas linhas talvez me bastem.
Isso aqui é um depositório:
Lugar de entulhos.
Meus lixos humanos estão aqui
Minha dor aqui consta.

Céu aberto digital
Muro das lamentações
Aliterações da linguagem
Bobeiras desconexas

Tudo junto e tudo nada.

Sem nome

Sinto que sou passageira
Andante errante
Pessoa errada a vagar pelos encontros

Tenho prazer pelo provisório
(a arte de não durar)

Sou ermitão nas relações
Fujo
Tramo meu escape, como as tramas de um tecido

Transversalmente, sou atravessada
Tenho sempre um nó que me acompanha
E se aloja na garganta

Material volátil
Curiosamente, eu escorro ao invés de evaporar.
Sedução pela queda (?)

Decerto, sou de lugar nenhum
Só não me pergunte se sou feliz com isso.

Escapar me é pesado. Dói nas vistas.
A lágrima pesa na bochecha.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Não sou nenhum Spinoza para fazer piruetas no ar.


Tchekhov, La noce. Pléiade I, p. 618.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

"Porque não teria direito de falar da medicina sem ser médico, já que falo dela como um cão? Por que razão não falar da droga sem ser drogado, se falo dela como um passarinho? E por que eu não inventaria um discurso sobre alguma coisa, ainda que esse discurso seja totalmente irreal e artificial, sem que me peçam meus títulos para tal? A droga às vezes faz delirar, por que eu não haveria de delirar sobre a droga? Para que serve essa sua “realidade”? Raso realismo, o de vocês. E então por que você me lê? O argumento da experiência reservada é um mau argumento reacionário. A frase de O anti-Édipo que eu prefiro é: não, nós nunca vimos esquizofrênicos".

Carta a um crítico severo - Gilles Deleuze
No nobis solum set toti mundo nati